"ENTRE NÓS E AS PALAVRAS, O NOSSO DEVER DE FALAR" Mário Cesariny, in:Pena Capital
Sábado, 20 de Setembro de 2008
A miséria da ganância

Não resisto a divulgar este texto de Joana Amaral Dias. De facto, quão fácil foi distribuir milhões e milhões para os ricos. Para ajudar os pobres, venham as esmolas, os congressos, os cabazes de natal... Estes milhões todos que agora distribuiram pelos bancos e companhia distribuídos pelos pobres, ajudariam  muito mais, já que, são os pobres os grandes explorados dos bancos.

Mas aqui fica este  artigo que descreve correctamente todo o problema:

 

OGene canhoto
in: Jornal Sexta, 19Set2008
 
 
Assim vai o liberalismo.
 
 
Para os liberais,
o Estado é mau quando ajuda os pobres.
 
E bom quando dá aos ricos.
Joana Amaral Dias
 
genecanhotg@gmail.com

 O sistema financeiro estadounidense vai derretendo a olhos vistos, depois de anos de negócios irresponsáveis com esquemas mirabolantes. E assentes na privatização, liberalização e desregulamentação dos mercados, com a chancela ou incentivo dos poderes públicos. Entretanto, o desemprego, os preços e as prestações dos créditos imobiliários aumentam, deixando muitos num profundo desespero.

 
Para tentar evitar o colapso, a Reserva Federal tem facilitado o acesso dos bancos à liquidez. Se a maior seguradora dos EUA apresenta um passivo de biliões, o Fed injecta outros tantos e nacionaliza.
É assim.
O discurso da autonomia do mercado e a fé cega nas suas leis, não passa disso mesmo. Dum discurso. Palavrinhas contra a protecção do Estado que emudecem assim que os capitalistas estão aflitos.
Afinal, essas teorias da auto-regulação são tão redondas que não foi o mercado, uma vez mais, que encontrou soluções para os seus problemas.
Os liberais, que não hesitam em sistematicamente bradar contra o Estado, lembram-se logo de o chamar, quando estão em crise. Assumem riscos se tudo vai bem. Se as coisas correm mal, esperam que o contribuinte abra os cordões à bolsa. Quando a crise passar e os lucros surgirem de novo, seguir-se-á a desnacionalização.
Quando ganham, guardam.
Se perdem, logo socializam os danos.
Lucros privados, prejuízo público.
Assim vai o liberalismo.
Sempre que o Estado protege os mais desfavorecidos , clama-se por menos Estado. Já se as empresas precisam de ajuda, pede-se mais Estado.
Para estes liberais, o Estado é mau quando ajuda os pobres. E bom quando dá aos ricos.
E paga o justo pelo pecador.
Pagam os contribuintes e pagam as entidades financeiras supervisionadas e sérias às entidades que criaram o monstro.
Inclusivamente às que atribuíram prémios que, também ao contrário dos discursos gordos sobre a meritocracia e ao slogan que só a gestão privada funciona, medalharam o mau trabalho de muitos responsáveis empresariais.
Richard Fuld, CEO da Lehman Brothers, é exemplo de que a má gestão compensa: ganhou três milhões de euros de bónus em 2007. Foi agraciado por destruir a empresa.
Mas não é caso único.
Há trinta anos os CEO ganhavam cerca de 30 a 40 vezes mais do que a média dos restantes trabalhadores das suas companhias.
No ano passado, ganhavam mais 344 vezes.
Assim vai a autoregulação.
Entre as várias lições a serem extraídas da actual crise (e a não serem esquecidas, como foram as consequentes às crises dos anos 20 e 30 do século XX), destaca-se que tudo privatizar (incluindo a segurança social) representa um tremendo risco. E os liberais deveriam, duma vez por todas, reconhecer que o mercado necessita de ser controlado pêlos poderes públicos. Já estes deveriam perceber que é tempo de recuperarem muito do que perderam e regressarem à política.
Nesta altura, é evidente que as instituições nem sempre sabem o que fazem e que são indispensáveis reformas estruturais internacionais e nacionais. Novas regras que, nomeadamente, previnam fases menos fáceis e que evitem que, sistematicamente, a economia de casino seja bancada por dinheiros públicos.
A complexidade financeira requer supervisores de igual sofisticação e se o sistema aceita a intervenção do Estado para salvar bancos, terá também que aceitar submeter-se a um conrolo mais apertado. Até porque os actuais esforços de salvamento não podem encorajar mais comportamentos irresponsáveis no futuro.
Mas parece que os liberais, mesmo assim, insistem que o problema resulta da regulação do mercado e não da sua desregulação. Há até quem defenda que se o Estado não interferisse tudo estaria melhor.
Dá vontade de rir.
Se essa gigantesca seguradora AIG falisse, por exemplo, o impacto seria de tal ordem que a economia global poderia ficar de rastos, afectando muitas empresas e milhares de pessoas em todo o mundo.
Mas, para estes liberais, são apenas efeitos colaterais.
É deixar andar, desde que o Estado cubra os estragos.

 


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publicado por lamire às 21:05
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