"ENTRE NÓS E AS PALAVRAS, O NOSSO DEVER DE FALAR" Mário Cesariny, in:Pena Capital
Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007
O direito à vida

Hoje gostaria de ter participado no Fórum da TSF.

Não que eu seja detentor de uma fórmula mágica para este problema trágico, mas porque penso que ele tem muito mais envolventes que aqueles “movimentos” e instituições mais ou menos “iluminadas” nos tentam impingir a fim de procurarem submeter a nossa forma “normal” de agir.

Penso mesmo que isto é uma violentação para com todas as mulheres que, por motivos vários, tiveram que se submeter a uma interrupção de gestação, e que tentam colocar uma pedra nessa situação, pela qual tiveram que passar e agora lhe avivam.

Interrupção voluntária da gravidez?

Voluntária?

Será que alguma mulher se submete a esta acção duma forma inteiramente voluntária?

Não posso recorrer a estatísticas, mas creio que mais de 90% das mulheres não recorre a esta solução por mera irresponsabilidade.

Assim, eu retiraria a palavra "voluntária". Quando muito poderia juntar a palavra legal ou ilegal.

O direito à vida

O dr. Gentil Martins apela à objecção de consciência, para que os médicos se recusem a efectuar actos de Interrupção de gestação, uma vez que se está perante um ser vivo.

Isto vem trazer-nos muitos aspectos a considerar.

Se estamos perante um ser vivo, onde estão os seus próprios direitos de cidadania?

Ou seja:

 

  1. Não deveria a mulher e seu médico efectuar um pre registo logo que é detectada a gravidez?
  2. Não teria o homem o direito e o dever de ser corresponsável em todo este processo?
  3. Se a mulher é portadora de um ser, então ela deixa de ter direitos sobre si própria, uma vez que ela é o que vulgarmente se diz 2 em 1.
  4. Será que uma mulher grávida poderá sair do país sem autorização do homem que participou nesse acto?
  5. Será que existe algum controle quando uma mulher sai do País grávida e volta a entrar normal e sem o ser que trazia anteriormente?
  6. Será que poderemos andar para aqui a referendar o direito à vida, quando ele é universal e com leis totalmente diferentes de país para país?
  7. Não deveria este assunto obedecer a leis mais universais, no mínimo, europeias?
  8. Será que as grávidas portuguesas são diferentes das espanholas, francesas, inglesas...?
  9. Não temos nós emigrantes em todo o mundo, criando-nos imensos problemas pela análise variada, consoante o país onde vivem?
  10. Além disso, quando é que a Igreja considera o feto um ser? A partir de quanto tempo de gestação lhe faz um funeral em caso de morte?

 

É evidente que sou pela vida, mas também sou pela coerência e contra a hipocrisia da nossa sociedade.
O acto de conceber é (até agora) um compromisso entre 2 pessoas de sexo diferente. A interrupção da gravidez não poderá ser diferente.
A mulher não tem que ser obrigada a divulgar o seu acto, quando em hospital público, como já vi escrito. Haverá sim que ter o consentimento do seu parceiro, corresponsável no acto.
E a violação?
A violação detecta-se no acto em que se efectua, quer as consequências sejam ou não de gravidez.
Calar a violação e só a denunciar em caso de gravidez não pode ser considerada como tal.
Estas eram as reflexões que tinha para divulgar no Fórum da TSF de hoje.
Aqui ficam registadas.
Sou pelo sim à vida, mas não discuto nem interfiro em qualquer caso que seja resolução de comum acordo entre 2 pessoas, que gerem a sua vida íntima conforme bem entendem.
Detesto a hipocrisia. E por isso estou convencido que o sim ou o não não vai resolver nada.
O que altera são as regras de conduta social que se vão modificando pouco a pouco.
Há 30 anos as mulheres não podiam usar calças nem frequentar um café, nem fumar, naturalmente.
Hoje tudo é diferente.
Interromper a gravidez é, seja qual for o motivo, um acto reservado e só por isso faz com que se recorra, muitas vezes, a clínicas que existem na sombra da sociedade dita normal.
A pressão social e familiar são ainda um elemento que faz com que este sistema continue a existir.
Este próximo acto de referendo a que nos querem submeter, nada vem alterar a não ser no que anteriormente disse:
Interrupção legal de gravidez, em vez de ser dita voluntária.
Votaria pelo sim e não ao aborto, votaria pelo sim à vida. mas não participarei neste referendo.
Mas cada caso é um caso e não pode depender só da decisão e responsabilidade da mulher.
Além disso, e para terminar, detesto a palavra aborto porque ela está conotada com muitas outras coisas horrendas da nossa sociedade. Lamento dizê-lo, mas pela forma como a nossa sociedade portuguesa se tem portado últimamente, quer na saúde, quer na justiça, quer no desporto, isto sim, é um autêntico aborto.


publicado por lamire às 01:45
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