"ENTRE NÓS E AS PALAVRAS, O NOSSO DEVER DE FALAR" Mário Cesariny, in:Pena Capital
Domingo, 26 de Novembro de 2006
O Passeio dos Militares
Não liguei muito ao dito passeio a não ser pelo facto de o Governo lhe ter ligado demasiado.
De facto, o povo, pelo que ouço e sinto, está sintonizado com as mudanças, embora relativas, que o governo Sócrates está tentando fazer. Mudanças de regalias. Simplesmente.
Porque o problema do nosso país é só esse. Regalias e mordomias. Mas, na realidade, Sócrates ainda não teve coragem (para não dizer outra coisa) de enfrentar o problema na sua raiz. De facto, sejamos ou não socialistas, comunistas ou social democratas, somos todos pessoas que nascemos com os mesmos direitos. E esses direitos, saúde e educação, não podem ter mordomias e regalias que nos diferenciem e nos desmotivem de contribuir para o bem estar comum.
Desta forma, o povo está farto de ver que uns são mais portugueses que outros. Porque é que há-de haver saúde diferenciada para militares, jornalistas,  bancários ou sei lá que mais?
Porque sim. Pronto. É a lei da rolha. Eu concordo que haja, desde que eu não tenha que contribuir para essas mordomias.
Eu vou aqui explicar o meu pensamento em relação à causa social. Isto das contribuições para a Segurança Social é das coisas mais injustas, mais desiguais e mais mal ajeitadas que pode haver.
Será correcto que as contribuições sejam feitas em percentagens, quando os benefícios são iguais para todos ( ou deveriam ser)? Além disso, será correcto que uma empresa desconte mais pelo sr. Escriturário que o funcionário da limpeza, por exemplo? Não merecem todos a mesma dignificação social?
Esta é a minha ideia social:
1.       Todos devem contribuir com uma mensalidade social, quer sejam empregados, desempregados, não trabalhadores, reformados, isto é, desde o limite da escolaridade obrigatória até à morte. Essa contribuição deve ser igual para todos para que todos tenham igual tratamento a nível da saúde. Essa contribuição deverá estar relacionada com o cartão de saúde, ou cartão único, seja lá o que for. Qual o valor desta contribuição? Que seja compatível com o nosso sistema de saúde e que o pague numa percentagem a decidir, sendo a restante paga pelo orçamento do estado (outros impostos).
2.       Acabar com o pagamento de segurança social das empresas relacionada com os vencimentos. O pagamento social deve ser retirado da soma da contribuição de todos os funcionários no rendimento da empresa, ou seja, deve ser retirado da facturação. Assim acaba-se de vez com o sistema de serem as empresas que têm mais mão de obra e que só por isso estão a contribuir para o equilíbrio social, a terem de suportar o sistema e ao mesmo tempo serem sacrificadas em relação a contribuições. (O Estado exige que para concursos públicos não haja dívidas à segurança social. Por mais que uma empresa se esforce lá vem o dia em que tem problemas. E aquelas que só utilizam o estratagema de subempreitadas estão sempre safas porque não têm esses encargos.)
3.       Resumindo as alíneas anteriores, a contribuição social deve ser individual, igual para todos (não deve ter a ver com as empresas) e empresarial ( retirado da facturação, como o IVA). Só assim se poderá garantir que o sistema não entre em descalabro, uma vez que é previsível que cada vez existam menos pessoas empregadas dentro do actual sistema de emprego.
4.       As reformas. Também aqui tem que haver uma alteração profunda. Eu faria o sistema funcionar da seguinte maneira. Só haveria 3 níveis de reforma: Mínima, média e alta.
5.       Qualquer cidadão deveria poder ter acesso a qualquer uma delas, desde que descontasse o necessário. Que direito têm o Sr. Director do Banco de Portugal de ter uma reforma milionária e o Ti Zé da Carlota não ter? Se o Ti Zé pagar ao Estado as mesmas contribuições de reforma que o Ti Vítor Constâncio não deveria ter os mesmos direitos?
6.       O problema reside no valor. O valor terá que ser no máximo ( alta) o suficiente para se viver dignamente e à vontade, isto é, mais que o valor que cobra um hotel médio por mês é estragar dinheiro que pertence a todos nós. Será que uma verba de 3 mil euros mensais não é mais que justo para se viver bem, quer se seja brigadeiro, general ou presidente da república quando reformados?
7.       Outro assunto. Eu concordo que se pague bem a quem trabalha bem. É um direito e uma recompensa. Por exemplo, o director geral das finanças recebe uma pipa de massa. Se ele poupar 4 mil contos por mês e penso que, como economista , pode amealhar até ao fim do ano  48 mil contos. Ao fim de quatro, tem dinheiro suficiente para gastar na sua reforma sem se chatear e sem ter que estar a “chular” o nosso pobre sistema social. E isto é aplicável a qualquer um de nós. Se eu só quiser pagar para uma reforma mínima que é que o estado tem com isso? Eu posso ter outras formas de dignificar o meu final de vida.
8.       Os anos de reforma. É lamentável que o sistema esteja como está. Há gente que eu até conheço que vão estar a receber reformas chorudas mais anos de que os que trabalharam. Além disso, a maioria desses anos, com vencimentos muito abaixo dessa dita reforma. Isto é inadmissível num sistema que se quer justo socialmente. Ninguém pode admitir que isto continue.
9.       Também ninguém pode admitir que um Presidente da República esteja reformado e a receber essa reforma acumulando com o vencimento. Isso nem admissível se chama. Chama-se imoral. E enquanto estas coisas sejam próprias do meu país, não exijam mais de nós, que não há nada para ninguém. O povo não é parvo.
10.   Ainda os anos de reforma. Também aqui havia de haver outra forma de análise. Assim, a reforma deveria ser correspondente aos anos em que se descontou. Isto é, se eu descontei 5 anos para o nível alto, será lógico que só beneficie 5 anos dessa dita reforma, podendo, no entanto, a pessoa escolher a altura em que a quer receber, no início, no meio, ou quando mais a necessitar. E isto repete-se em relação a qualquer nível. Isto pode parecer confuso, mas não é. Confuso é o que existe.
 
Por isso é que existem estes passeios. Porque a confusão deste país é muita e cada um continua a querer salvar a sua elite e as suas regalias e o povo que se dane. É tempo de acabar com isto. E se o Sócrates quiser basta dizer, porque, para isso tem o povo a seu lado. Não são os socialistas, é o povo. Não pense o partido socialista que as recentes sondagens têm a ver com o seu partido. Têm sim a ver com o povo, que concorda com muitas das recentes alterações, mas continua insatisfeito.


publicado por lamire às 11:20
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